sábado, 19 de novembro de 2011

In a Glass House - Gentle Giant



In a Glass House - Gentle Giant


Track List: 

1. The runaway - 7:24
2. An inmates Lullaby - 4:39
3. Way of life - 8:01
4. Experience - 7:49
5. A reunion - 2:10
6. In a glass house - 8:04


Músicos:

Gary Green - Violões acústicos de 6 e 12 cordas, guitarras acústicas e elétricas, mandolins, percussão e backing vocals; 
Kerry Minnear - Teclados, pianos elétricos, percussão melodica e vocais principais; 
John Weathers - Bateriaa, percussão e backing vocals; 
Derek Shulman - Saxofones, flautas, percussão e vocais principais; 
Ray Shulman - Contrabaixo, violões acústicos, violinos, percussão e backing vocals.


Gentle Giant: 

Gentle Giant foi uma das grandes bandas de rock progressivo da década de 1970; é uma das "lendas", por assim dizer, criadas por esse estilo, posto que existem hoje legiões de fãs da banda espalhadas pelo mundo. A banda foi formada pelos três irmãos Shulman (Phil, Derek e Ray) todos ex-integrantes da banda britânica de pop e soul "Simon Dupree and the Big Sound", sendo esta formada em 1966. No início, tocaram por toda a Inglaterra durante quatro anos, sendo bem recebidos pelas rádios e televisão locais.

Lançaram um álbum com um compacto no top 5 da parada britânica, mas sem deixar uma impressão indelével na cena musical britânica. Pelo final de 1969, os Shulmans terminaram a Simon Dupree e lançaram seus olhares sobre o crescente fascínio do meio musical por uma música mais criativa e inteligente que viria a ser chamada de rock progressivo. No DVD Giant on the Box o grupo tem o seu estilo definido como Baroque & Roll.

No início de 1970, eles formaram o Gentle Giant, junto com Martin Smith, Kerry Minnear e Gary Green. O novo grupo começou a fazer um som mais aventureiro, desafiante e distinto de tudo o que se conhecia em termos de música. Compara-se a inovação que os Beatles representaram para o rock em seu tempo com a do Gentle Giant para o rock progressivo.

Tinham como influências musicais o rock, o jazz, a música clássica, o avant-garde, o blues e a música medieval inglesa. Uma outra característica da banda eram os vocais múltiplos e sincronizados, pouco comuns na sua época.

Outrossim, inspirados por antigos filósofos, eventos pessoais e os trabalhos de François Rabelais, a proposta da banda era "expandir as fronteiras da música popular contemporânea, com o risco de se tornar muito impopular."


O disco:

Estimados amigos e entusiastas, assim como eu, da boa música inteligente; primeiramente, gostaria de desejar-lhes, um excelente natal e, caso eu não escreva no final de semana que vem, um excepcional ano novo! E que a música inteligente continue a se expandir em nossas mentes e corações!

A banda e o disco escolhidos hoje são, novamente, de minha maior preferência; A banda é Gentle Giant e o disco, sua obra prima na minha opinião, In a Glass House! 

Apesar de fugir das fórmulas "convencionais", por assim dizer, da música e rock progressivos, o Gentle Giant é, até os dias de hoje, considerada uma das maiores e melhores bandas do estilo de todos os tempos. Primeiramente, cumpre esclarecer, que muitas pessoas, em especial as que enxergam a música progressiva sob um "pré-conceito", fazem costumeira ligação do estilo com músicas longas, suítes épicas intermináveis e afins; tal ótica porém, estudando o conceito histórico progressivo, não poderia estar mais equivocada. Ocorre simplesmente que, as bandas de maior sucesso popular no estilo, trabalharam na década de 70 com tais fórmulas supra mencionadas; mas tal ligação não é regra para a composição da música progressiva; sob este ponto de vista, o Gentle Giant, sem dúvida, é prova viva disto. 

A música e o rock progressivo são, em essência, influencias diretas da música clássica, do fusion, da música psicodélica e da música folk unidas, é claro, ao rock and roll. Por este motivo, é claro, que os adeptos mais extremistas ao rock and roll são radicalmente contra a ideia progressiva no mesmo; pois, para estes, o clássico e o popular não se misturam. Historicamente, o rock representa, filosoficamente, uma libertação, a quebra de um paradigma, e, por isto, o mesmo soa selvagem, livre e até agressivo. Já os adeptos da música progressiva, assim como eu, creem que tal junção representa uma evolução musical natural, e, acima de tudo, absolutamente prazerosa de se ouvir. 

É claro que o estilo traz músicas muitíssimo mais "cabeça" e complicadas que, por muitas vezes, se distanciam da essência e filosofia clássicas do rock and roll; mas, se abrirmos nossas mentes para a qualidade musical apresentadas, sem dúvida, podemos nos surpreender. 

E o Gentle Giant, caros amigos, talvez até muito mais do que as bandas tradicionais e mais famosas do rock progressivo setentista, é a personificação exata do que é a música e o rock progressivo; sob fortíssima influências clássicas, jazzistas e medievais, é, sem dúvida, uma das maiores (se não a maior) bandas já surgidas na história da música popular no século XX por, pura e simplesmente, atingir um corpo artístico e musical tão cheios de personalidade que impressionam até os ouvidos mais exigentes existentes. 

Retrato hoje, como já supra descrito, sua maior obra prima na minha opinião: O sensacional In a Glass House, o qual considero, sem dúvidas, um dos maiores discos já compostos na história da música popular no século XX. 

Por contexto histórico, cumpre esclarecer que 1973 foi um ano de vários acontecimentos para o "Gentle Giant". Um deles foi a realização do álbum "Octopus" com a entrada do baterista John Weathers (que tocou em bandas chamadas "The Eyes of Blue", "Buzzy Linhart", "Ancient Grease" e outras não muito conhecidas ao meio do gênero de rock progressivo) definitivamente no grupo até o fim das atividades da banda em 1980 por Malcolm Mortimore (ele precisou ser substituído em "Octopus" por Weathers porque sofreu um sérissimo acidente de motocicleta impedindo-o de se apresentar).
Lançado em setembro do mesmo ano, "In a glass house", que resultou num único compacto, é marcante também pela primeira vez a presença do público, um aspecto mais animador com telas gigantescas visuais atrás dos palcos. Detalhe interessante: Uma idéia que o Gentle Giant pensou para se aproximar dos espectadores em suas apresentações ao vivo era tornar algo semelhante ao que o "Genesis" (fase de Peter Gabriel) em suas encenações teatrais musicais; A idéia era ter Weathers fantasiado sob a forma de um "Gigante Gentil" andando no palco no meio de várias casinhas de boneca em meio de fumaças artificiais; mas, infelizmente, a idéia foi abortada e nunca posteriormente utilizada. 

Ademais, sem muito esforço o Gentle Giant demonstra neste trabalho um tanto mais de rock do que nos outros já gravados; ainda assim, a marca da sonoridade medieval ainda se mantém vivíssima no álbum e parece que está um tanto "funk-medieval" feito também de uma forma estruturalmente complexa, mas evitando ideais de artistas virtuosos na forma de ajuntar justamente esta presença mais significante de rock que possui o trabalho com a arte contemporânea de artistas clássicos da época moderna como Igor Stravinsky e Bella Bartok. E o que dizer dos múicos em IAGH? Kerry Minnear em todo o momento do trabalho está tanto delicado como também ágil nos teclados; Derek Shulman se divide nos vocais entre o leve e o pesado de forma brilhante; Ray Shulman prenche linhas de contrabaixo sendo tocadas de forma, no mpinimo, muito inteligente; Gary Green se mantém tão discreto em seus instrumentos de cordas que é impossível deixar de prestar atenção neste; e  finalmente John Weathers acompanhando o restante dos companheiros numa forma de ritmo muito arrojada e única.

Não existem dúvidas de que o Gentle Giant era um conjunto de músicos extremamente talentosos e criativos além do que também eram multi-instrumentistas; e, pelo visto, em "In a glass house" eles estão em seu ápice mesmo com os problemas decorrentes do ano, e se divertem com a música deste trabalho que foi editado tomado pelo toque dos efeitos sonoros que possui visto que para eles também se tornou um album muito importante em suas carreiras. Falando inclusive de efeitos sonoros, o "Pink Floyd" também naquele ano de 1973, havia gravado um album muito conceitual e um dos mais vendidos no mundo do rock; nada menos do que "The Dark Side of the Moon" onde tais efeitos estão sendo muito explorados junto com a música.e Voltando ao IAGH, as letras parecem ser inteligentes e reflexivas e todos os membros tem a sua oportunidade de se apresentar nos momentos solos, sem ideologia alguma creditado para um mesmo músico. Com melodias que se dividem de maneiras um tanto agitadas e suaves o album inteiro está perfeito longe de defeitos na sonoridade consagrando-os mesmo como quinteto e no fim de 1973 preparando-os para o que viria a seguir em seu próximo album "The power and the glory" (1974).

A produção foi feita pelo próprio Gentle Giant que está impressionantemente muito boa para um selo muito desconhecido no mercado e feito de maneira analógica, já que na época não tinha uma tecnologia convencional avançada para a confecção da gravação digital junto com o auxílio de Gary Martin que colaborou no "Yes" em "Fragile" (1971), um dos albums fundamentais do conjunto; o "Soft Machine", o baixista Hugh Hooper, músico inclusive do "Soft Machine" na época em que se encontrava na banda com o solo "1984" (1973), "Brian Auger's Oblivion", David Essex e outros.

A arte gráfica foi elaborada por Martyn Dean, parente de Roger Dean, que colaborou obviamente com o "Yes" e "Budgie" realizados por Roger, além de Keith Tippett Group, "Gun", "Atomic Rooster" e entre outros. Vale uma ressalva a respeito da capa elaborada de forma tridimensional que originalmente no vinil vinha num papel celofane com impressões dos músicos e a capa original que vinha também com impressões dos músicos e desenhados de maneira diferente. A medida que fosse ajuntado o celofane com a capa do vinil ficava mais preenchida a gravura como se houvessem mais de 5 músicos no conjunto, portanto, um achado caso alguem encontre este vinil. A mesma maneira ocorreu para o CD lançado em 1.992, só que o grave é que o proprietário do disquinho deve ter cuidado enorme pois uma parte destas imagens vem impressas na proteção acrílica fronta da qual se abre o CD e se quebrar perde-se a graça do encarte. A vantagem que o CD possui é que vem duas faixas a mais de bonus.

Por fim, o disco fora inspirado no filme "The Glass House", de 1972, baseado numa estória de Truman Capote a respeito sobre as horríveis condições dentro de uma prisão de segurança máxima; sem dúvidas, uma grande reflexão musical e um deleite para os ouvidos!

Como destaques musicais individuais, gostaria primeiro de falar sobre "The Runaway", a faixa que abre o disco, com quase 7:30 de duração, que logo de cara já traz uma curiosidade interessante aos seus adeptos; devido ao selo utilizado para a gravação do disco ser precário (como já supra mencionado), o estúdio utilizado para as gravações do disco era, por conscequência, também muito precário; tanto é que, a faixa que abre o álbum ("The Runaway") fora, em seus primeiros segundos, mixadas sobre o barulho de coisas e vidros se quebrando; o que da um sentindo ambíguo de interpretação, pois alguns dizem que a idéia teria surgido pois o estúdio de gravação estava realmente em um estado tão crítico que seus integrantes resolveram satirizar tal precariedade homenageando ironicamente tal situação; já outros dizem que a mixagem inicial nada mais representa o tema glass house, já que vidro em inglês significa glass. Ademais, a abertura do disco é algo muito semelhante como em "Money" do "Pink Floyd" de "The Dark Side of the Moon", só que no caso a introdução é de uma máquina registradora que também se mantém alguns instantes, assim como "The runaway", sob a entrada de efeitos sonoros. Além disso a maneira como foi feita a inclusão dos efeitos sonoros e o modo de como entra a melodia da faixa repentinamente lembra também a faixa "The boys in the band" do "Octopus", album anterior da banda. Outro ponto de vista sobre a mixagem referente a quebra do vidro da qual apresenta sobre a forma do título do album dá a intenção de advertir que quem possui telhado de vidro não deve atirar pedra no vizinho, ou seja, a pessoa ser o que é e não cuidar da vida dos outros. Era uma primeira faixas que foram incluidas no set-list do GG, incluindo a introdução da quebra do vidro que quando a banda iniciava a entrada repentina da melodia um clarão de luzes se colocavam acima do grupo e em algumas apresentações faziam um "medley" junto com a "Experience" tambem do "In a glass house" e nas apresentações ao vivo o vocal de Minnear não se apresenta na metade da música. Quando a quebradeira de vidros termina a melodia da faixa se inicia de uma maneira muito viva junto a um teclado que vai aumentando de volume e tendo Derek surgindo nos vocais que vai coordenando a faixa e sendo acompanhado relativamente em um curto instante apenas pela guitarra de Green e tendo o restante da banda junto nos dois refrões. Na primeira parte instrumental tem-se alguns solos de teclados e posteriormente o de uma flauta até que retorna a banda novamente cantando junto com Minnear junto com um violão acústico. Neste trecho inclusive tem uma pequena pegada de Buddy Rich que Weathers comentou numa entrevista que "copiou" o ritmo do artista. No próximo tema a banda fica numa forma melódica em estilo medieval, mas o grupo retorna novamente com a guitarra de Green solando seguido posteriormente através de um solo de xilofone. A faixa retorna ao refrão que se iniciou a melodia terminando por finalmente de uma forma bem sinistra do grupo. Aqui existe inclusive um erro fonográfico feito no CD e no final da faixa; os quase 10 segundos finais da faixa foram colocados na faixa posterior "Inmates Lullaby", ou seja "The runaway" "perdeu" quase 10 segundos. Observe que a faixa tem um ritmo em determinados momentos em meio funk. A faixa bonus que vem no CD remasterizado mais recente possui uma versão ao vivo desta faixa acrescido da "Experience", música deste mesmo album numa apresentação de setembro de 1.976. Possui uma versão ao vivo nos albums "King Biscuit Flower hour" (1.998) e em "Totally out of the woods - The BBC sessions" (2.000). O mesmo "medley" com a "Experience" está também apresentado no primeiro album conceitual e um dos favoritos dos fãs do GG em "Playing the fool- Live" (1.977).

Outra música que merece destaque á a ótima "An Inmates Lullaby" - muitos fãs do Gentle Giant não gostam desta faixa, talvez por ela ser melosa até ao extremo, mas tem um detalhe muito interessante que possivelmente pouca gente sabe e daria até mais valor para esta: todos os instrumentos tocados são de percussão desde o início ao fim da faixa. Poucos grupos de rock progressivo exploram instrumentos de percussão melodiosa como o xilofone, marimbas e outros além dos vocais; uma banda que explorou muito estes tipos de instrumentos, embora não tem um carater canônico igual do GG foi a banda francesa "Gong", tanto na época com o fundador Daevid Allen (um exemplo em "Angels egg" (1.973)) e mesmo com sua ausência (um exemplo em "Gazeuze!" (1.976)), entretanto são evidentemente também com esquemas diferenciados. É uma composição muito excêntrica que possivelmente o GG já gravou na carreira sob a idéia da forma em meio de uma canção de ninar que criou um ambiente muito misteriosos; vide os vocais de Derek. As letras refere-se sobre alguém que é insano criminalmente. Não esqueça que se o ouvinte possuir em CD os quase 10 primeiros segundos não são pertencentes da faixa e sim da anterior "The runaway". Saiu inclusive em compacto.

Por fim, destaco a faixa que encerra o álbum, a excepcional "In a glass house" que é a maior faixa do álbum, também com pouco mais de 8 minutos de duração, mas na verdade ela termina até antes porque os 20 últimos segundos é um retrospecto muito rápido de um minúsculo trecho de cada faixa executada pelo "GG" neste álbum sendo a ordem da seguinte maneira das faixas: "The runaway", "Way of life", "Experience", "In a glass house", "An inmates Lullaby", "A reunion", isso sem contar que a abertura tem a quebra de vidros como também no seu final. A faixa possui múltiplas sessões de vários temas, além de que parece que a banda toca todos os instrumentos que possuem, uma "guerra" de instrumentos (mandolins, violões, saxofones, trompetes, piano elétrico, marimbas, xilofones e etc.), mas de uma maneira muitíssimo comportada e a banda pelo visto aproveitou como pode durante estes 8 minuntos que contém a faixa evitando desperdícios fazendo mais uma fez rock, folk (medieval), funk, etc. Saiu em versão em compacto junto com "An inmates Lullaby". Foi também uma faixa que incluia no set-list do conjunto durante a promoção do album e geralmente com Gary Green solando um tanto mais na guitarra conduzindo a música. Esta faixa tem uma outra no CD remasterizado mais recente de uma versão ao vivo de 1974.

ALTAMENTE RECOMENDÁVEL! 


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Referências Bibliográficas:



ENJOY! 

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